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Cianotipia


Rodrigo Whitaker Salles


A cianotipia foi um dos primeiros processos de impressão fotográfica em papel. Foi descoberta por Sir John Herschel, notável cientista, cuja atividade principal era a astronomia, tendo feito diversos achados neste campo. Além disso, fez pesquisas relevantes na fotografia e, segundo autores abalizados, deve-se a ele também a descoberta do hipossulfito como agente fixador.

© Foto: Rodrigo Whitaker Salles

A cianotipia tem este nome porque as imagens assim produzidas apresentam-se em azul. Isto acontece pelo fato de se basear em sais de ferro e não prata. Também é conhecida como ferroprussiato ou "Blueprint".

Não é um processo para produzir negativos, mas cópias em papel.A emulsão é muito lenta, mais ou menos da ordem de 0.0005 ISO. Por causa disso, é impraticável ampliar negativos sobre papel ao ferroprussiato. A cópia é obtida por contato, numa prensa especialmente construída, embaixo de uma luz rica em UV, podendo ser a própria luz do sol. Nesse caso, a impressão pode demorar de 15 a 45 minutos, dependendo da densidade do negativo. Após o tempo de exposição, a folha de papel é lavada em água corrente por alguns minutos e, ao secar, a imagem adquire tons azuis bem saturados.

Alguns operadores desenvolveram métodos para ampliar negativos pequenos para poderem imprimi-los por contato. Eu não experimentei ainda nenhum de tais métodos. Parto sempre de negativos grandes ou médios.

Os sais que compõem a emulsão sensível são citrato de ferro amoniacal, ácido oxálico e ferricianeto de potássio, podendo às vezes entrar bicromato de potássio como regulador de contraste, devendo ser dissolvidos de preferência em água destilada. Existem muitas fórmulas e procedimentos.


© Foto: Rodrigo Whitaker Salles


Os negativos a serem impressos por cianotipia devem ser "duros", daqueles que se imprimem em papel comum grau 1 ou 0. Isto é assim porque a emulsão, embora lentíssima, tem uma gradação muito suave. Um negativo bom para ser ampliado em papel comum de grau dois vai produzir uma cianotipia sem contraste. Em minha experiência, e falando em termos de "Zone System", um negativo processado a N+2 é o ideal. E se o assunto for de baixo contraste, um processamento N+3 é recomendado.

A emulsão, para maior durabilidade, pode ser preparada em duas partes que se juntam no momento do uso. Em princípio, qualquer papel serve, desde que não seja ácido. Já experimentei o CANSON 180g, com excelentes resultados. Há os papéis importados, especialmente feitos para processos alternativos, como por exemplo o ARCHES PLATINE, que também é excelente. Via de regra, o papel, ANTES de receber a emulsão, precisa ser banhado numa solução de amido ou gelatina e posto a secar, para que a solução sensível não seja absorvida a fundo pelas fibras do papel, o que ocasionaria resultados inferiores.

Provavelmente o primeiro livro de fotografia registrado foi feito com cianotipia. Em 1843, Anna Atkins, em seus estudos botânicos editou o livro "Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions", depositando seus espécimes sobre folhas de papel sensibilizado ao ferroprussiato e fazendo contatos.

Para mim, trabalhar com processos alternativos - assim chamados por se apresentarem como opções frente à grande massa da fotografia industrializada - requer grande dose de paciência, romantismo e um objetivo definido. Pode começar como simples curiosidade, como foi meu caso, mas derivar para algo mais profundo. Assim é com a Platinotipia, Goma bicromatada, Kallytipia, Bromóleo, Daguerreotipia, Ambrotipia, só para citar alguns. Muitos outros há.

Saindo um pouco do tema central, vem a indagação: porque todos esses processos caíram em desuso?

Acredito que os procedimentos padronizados com base na prata surgiram mais por força de interesses industriais do que qualquer outro fator. A prata é - pelo menos até agora - o metal mais conveniente para ser explorado em larga escala pela indústria fotográfica. Não é tão caro como a platina, que dá resultados reconhecidamente superiores, e fornece emulsões rápidas o bastante, ao contrário dos sais de ferro. Outros procedimentos, como Goma bicromatada, Bromóleo, etc, são muito sujeitos a variações individuais.

No mais, há toneladas de informações a respeito, facilmente acessíveis aos interessados. Além disso, estou à disposição para bater papo e outros esclarecimentos. Grande abraço.


Bibliografia: "The Keepers of Light - A history and working guide to early photographic; Autor: William Crawford; Editora: Morgan & Morgan - Dobbs Ferry, New York - 1979

Rodrigo Whitaker Salles
é fotógrafo e associado ao FCCB
E-mail: rwsalles@provida.org.br