Entrevista
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José
Luiz Pedro - Presidente
do Foto Cine Clube Bandeirante
em
2003 |
| Quando,
em 1996, José Luiz Pedro conheceu o ex-Presidente Valdir
Peycerê, e foi convidado para trabalhar no Clube, não
imaginava ele que, sete anos depois tornaria-se o Presidente do
mais importante clube de fotografia do Brasil: o Foto Cine Clube
Bandeirante, fundado em 1939. Jovem, 28 anos, praticante de
esportes, hoje, dedica-se integralmente ao Clube: da manutenção
do site à administração. Profundo conhecedor
da fotografia, sua história, personagens, estilo, equipamentos,
e computação, já que é também
um web designer, defende a fotografia digital, como sendo inevitável;
critica o elitismo da fotografia de outrora, apesar de dizer que
eram outros tempos, e afirma que a Bienal cor, que será realizada
em São Paulo, e organizada pelo Clube, nesse segundo semestre,
será a mais digital de todas; e confessa que o seu sonho
é tornar-se presidente da Confederação Brasileira
de Fotografia e Cinema. |

"No
passado, os associados passavam por uma via-crucis para entrar
para o clube. Tinham de ser apresentados, olhavam seus trabalhos
e, só aí, eram admitidos. Hoje, não. Todos
podem ser sócios do clube, independentemente do conhecimento
que tem da fotografia." |
| FCBPRESS
- Qual o motivo, ou motivos, que fizeram com que o FCCB perdesse
o prestigio que tinha nas décadas de 40-70 ? J.L.P.
- Acho que são vários motivos: a máquina
automática, o fortalecimento do fotojornalismo, ou a própria
falta de atualização do movimento fotoclubista foram
alguns dos motivos que fizeram, não só, que o fotoclube
perdesse muito de seu prestígio, como também, acarretou
no fechamento de dezenas de clubes. Hoje, vemos um pouco do caminho
inverso com a criação de novos clubes, e a reabertura
de clubes tradicionais que haviam fechado as portas há
mais de 10 anos, como o de Aracoara. Recebemos muita solicitações
de informações de como montar um clube. Enviamos
nosso estatuto como exemplo, e pedimos para entrar em contato
com a Confederação.
FCBPRESS
- E o charme de outrora, de festas, presença constantes
das esposas dos associados nas atividades do clube? O clube era
elitista demais?
J.L.P. - Eram outros tempos; uma São Paulo mais romântica.
Hoje, em dia o foto amador é |
minoria
perto da grande massa de profissionais de diversas áreas.
O movimento também se alterou. No passado os associados eram
compostos de industriais, engenheiros, advogados, entre outros profissionais
de áreas distintas que gostavam de fotografia. Saiam aos
finais de semana com a família para fotografar o centro de
São Paulo, passear até o clube, que era um centro
de lazer, pesquisa e estudo. Era, sim, um pouco elitista, se pensarmos
que há 40-50 anos, o custo do equipamento fotográfico
era muito superior do que é hoje. Só comprava quem
podia. Para entrar no clube, também, havia a necessidade
de ser apresentado por outro associado, que inibia muitos foto-amadores
a ingressar. Um dos fatores, também, era a qualidade dos
trabalhos apresentados, muito superiores à média;
fato que também inibia os iniciantes. Hoje, a maioria são
fotógrafos que têm a fotografia como segundo trabalho,
ou profissionais de diversas áreas que querem se manter atualizados,
com o que rola no meio. Mesmo as esposas de muitos fotógrafos,
hoje, fotografam também. Temos exemplos de |
associados,
donos de lojas de foto, que suas esposas fotografam profissionalmente,
e já fizeram cursos conosco.
"Era,
sim, um pouco elitista, se pensarmos que há 40-50 anos,
o custo do equipamento fotográfico era muito superior do
que é hoje. Só comprava quem podia."
FCBPRESS
- Nos anos 80-90, não só o FCCB, mas o fotoclubismo
brasileiro foram perdendo a força, com menos pessoas participando,
restando poucos fotoclubes, e alguns fechados. O que você
acha que provocou essa mudança ? O fotojornalismo, novas
técnicas, novos equipamentos, popularização
da fotografia ?
J.L.P.
-Complementando: Olha! Claro que chegou um momento que não
houve renovação. Os fotoclubes estavam com as mesmas
idéias dos anos 40-50 que deveriam ser atualizadas para
os anos 80 e, principalmente, nos anos 90, onde o digital, computadores,
entre outras coisas, tomaram forma e mudaram o meio fotográfico.
Muitos clubes eram apenas baseados em seus passeios e materiais
para concursos e salões. Quando os associados diminuíram,
não tinham como |
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| manter
as sedes, muitas vezes alugadas, e, também, a falta de pessoal
para tocar o clube. Muitos fecharam ou se transferiram para casa
do presidente ou de algum diretor. Até hoje, muitos clubes
e grupos funcionam assim, pois têm um custo menor para se
manter. O custo de manter uma sede social é bem grande para
associações que tem poucos recursos e muitos custos.
A
popularização da fotografia, na verdade, criou um
método em que a pessoa não precisa aprender a fotografar
e, sim, a apertar um botão. Vemos (mesmo no meio profissional)
muitos "fotógrafos" que seu conhecimento se baseia
apenas na utilização da máquina fotográfica,
e cada vez menos nos seus conhecimentos da fotografia. Ou seja,
temos bons técnicos de equipamento e poucos fotógrafos.
O Fotoclubismo era uma coisa baseada muito em grafismos, formas,
cores, etc. O Fotojornalismo trouxe o mundo real à fotografia,
um apelo mais forte para o iniciante, que faz o dia-a-dia mais
real. Você se emociona com uma foto de uma criança
chorando de fome, uma senhora pedindo dinheiro. É bem diferente.
As formas |
gráficas
utilizadas pelo Fotoclubismo desde o inicio na massificação
do fotojornalismo deveriam ter sido repensadas, pois não
havia nenhum problema na integração nos dois métodos.
Acho que hoje teríamos muitos fotojornalistas em clubes
com trabalhos excelentes, porém, os clubes perderam o seu
cara de central de pesquisa fotográfica, de escola, para
se centrar apenas em salões e concursos. Isso sim, tem
de mudar urgentemente.
"Hoje,
a maioria é de fotógrafos que tem a fotografia como
segundo trabalho , ou profissionais de diversas áreas que
querem se manter atualizados, com o que rola no meio ."
FCBPRESS
- O fotoclubismo morreu ?
J.L.P.
- Acho que chegou perto, principalmente no Brasil. Pela internet,
vemos em outros países que os clubes de foto se mantém
atuantes. Uma pesquisa, só em clubes de foto na França,
foram encontrados mais de 200, divididos, além de uma Federação
Nacional, em Federações regionais. Aqui, sobraram
apenas uns 20 clubes/grupos ligados à Confederação,
e que participam ativamente de Bienais, Salões e Concursos,
além de oferecerem aos seus associados, |
reuniões
periódicas, biblioteca, estúdio e laboratório,
além do convívio com profissionais e amadores avançados
do meio fotográfico, para troca de informações.
Para um país desse tamanho, é muito pouco. Temos muitos
clubes pelo Brasil afora que deveriam entrar para a Confederação,
que são ativos, porém, desconhecidos dos outros clubes.
Deveriam participar dessas trocas de informações em
Bienais, por exemplo. Acho que ajudaria muito no crescimento do
movimento. Um grande portal na Internet sobre o Fotoclubismo ajudaria
bastante.
Os fotoclubes atuantes também têm de divulgar seus
feitos para que a população saiba que eles existam.
Não adianta nada se fechar e não deixar que um novato
aproveite de um grupo de discussão de fotografia, ou dos
seus passeios, simplesmente, pelo fato de não estar informado.
FCBPRESS - Como o clube se manteve e se mantém após
a mudança do casarão da Aclimação,
que estava bastante deteriorado,
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| sem
condições financeiras, para a nova sede da Rua Augusta
? J.L.P.
- A venda do antigo casarão na José Getúlio
não agradou ninguém. Todos gostavam do local, apesar
de ficar fora de mão para alunos e encontros semanas, principalmente,
se não fosse de carro. A estrutura dele também já
pedia muitas reformas, o que era inviável na época.
Havia, também, dívidas passadas para resolver, e
o caixa do clube era baixíssimo. Mas, com o tempo, vimos
que a mudança foi boa. Aumentamos o quadro social e facilitou
a entrada de novos cursos. Demoramos bastante para acertar as
coisas na Augusta, pois o espaço era bem menor do que tínhamos
anteriormente. No início, vivemos praticamente de renda,
vamos dizer assim, com a diferença da venda de um imóvel
bem maior, e a compra de outro menor. Em 1999, iniciamos a série
de cursos, palestras, workshops; abrimos o estúdio e laboratório
aos associados, entre outras coisas, para voltar a dar caixa para
o clube, pois foram dois anos só gastando. Tivemos muitos
problemas no início com poucos alunos e um custo alto para
manter |
o
imóvel. Mas, com o tempo, superamos tudo isso. Hoje, estamos
abertos das 10 da manha às 19h para atendimento e, ainda,
temos os cursos até as 22 horas. O estúdio vive lotado;
os associados usam bastante, pois demos 10 horas por mês sem
custo adicional à mensalidade. Estamos progredindo, e com
o tempo, a sede já vai ficar pequena.
"Os
fotoclubes atuantes também têm de divulgar seus feitos
para que a população saiba que eles existam."
FCBPRESS - Essa sede da Rua Augusta é própria
ou alugada ?
J.L.P.
- Desde 1949, as sedes só FCCB são próprias.
Em conversa com o Sr. Eduardo Salvatore, um dos nossos fundadores
e presidente do clube por anos, sei que fomos um dos primeiros
clubes no mundo a ter sede própria, e uma estrutura bem
montada, sempre fornecendo um meio para os sócios e alunos
sempre estarem aprendendo, e se divertindo com a fotografia. Fomos,
por anos, a referência na fotografia nacional , trazendo
pessoas de outros Estados para estudar aqui, ou se associar para
mostrar seu portfólio. Hoje, estamos retomando |
de
Rondonia, Rio de Janeiro, Santa Catarina , Rio Grande do Sul,
Paraná, Minas Gerais , Sergipe, entre outros, para participarem
de nossos cursos de Foto-Casamento, Publicidade ou Moda. Muitos
ainda ficam um tempo a mais para participar dos passeios fotográficos
mensais do clube.
"No
passado, os associados passavam por uma via -crucis para entrar
para o clube. Tinham de ser apresentados, olhavam seus trabalhos
e, só aí, eram admitidos. Hoje, não."
FCBPRESS
- Quantos
associados vocês têm ? E alunos ? Qual a média,
por curso ?
J.L.P.
- Hoje, estamos com aproximadamente 150 associados; desses podemos
dizer que a metade é bastante ativa. Eles se dividem em
os interessados em utilizar laboratório e estúdio
, os que só vão a passeios e participam dos concursos
e salões, e dos que participam de tudo, desde os cursos,
até na manutenção da sede mensalmente. Os
cursos, sua média de alunos depende da matéria.
O básico comporta até 08 alunos em cada curso, e
fazemos, em média, de 01 a 02 por mês. Avançado,
Moda e Publicidade não passam de 05 por curso, por causa
da produtividade. Ficaria comprometido o |
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