FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE

desde 1939

FCBPress - Entrevista

José Luiz Pedro - Presidente do Foto Cine Clube Bandeirante

em 2003

aprendizado do aluno com muitos no estúdio. Já, no Foto-Casamento, que é um curso mais dinâmico (geralmente dado em uma semana), comportamos até 15 pessoas por turma, e mesmo assim, não perdemos qualidade. Alias, qualidade é a coisa que mais nos empenhamos no clube, tanto nos cursos, como no fornecimento de informações e estrutura para associados. Os cursos todos são apostilados, e em alguns casos, o aluno ainda recebe filme para a aula prática.

FCBPRESS - O clube continua com os mesmos cursos de antigamente, ou teve alguma mudança, cursos mais modernos?

J.L.P. - Continuamos com os módulos básico e avançado que sofreram alterações em seus conteúdos, graças à fotografia digital. Criamos novos cursos que já estão acontecendo, como Foto-Publicidade , Foto-Moda e Foto-Casamento. Estamos mudando o programa do Foto-Jornalismo, que voltará em breve. E, já estamos com quase tudo certo para um curso completo de Foto-Digital. Ainda há coisa para vir, como a volta dos Workshops de iluminação de estúdioFoto-macro e laboratório P/B, além de novidades em Foto-Natureza e Foto -Documental.

"Essa Bienal, no segundo semestre, será a mais digital de todas..."

FCBPRESS - O que vocês proporcionam , hoje, às pessoas que quizerem ser associados ? Precisam eles ainda serem indicados por alguém, ou passarem por algum teste, ou convencimento como, por exemplo, com o Chico Albuquerque, no passado ? Na galeria do FCCB, os alunos ou associados podem expor seus trabalhos ?

J.L.P. - Como disse, no passado, os associados passavam por uma via -crucis para entrar para o clube. Tinham de ser apresentados, olhavam seus trabalhos e, só aí, eram admitidos. Hoje, não. Todos podem ser sócios do clube, independentemente do conhecimento que tem da fotografia. Para isso, temos os cursos diversos; professores para orientar os novatos, passeios com monitores, para ajudar os com dúvidas, entre outras coisas.
Já fazemos há dois anos, exposições dos passeios fotográficos no final de cada ano, com os melhores trabalhos. Estamos acertando uma exposição dos sócios para final desse ano , mais tardar no inicio do ano que vem, com o material que foi produzido por essa nova leva de sócios que o clube adquiriu nos últimos três anos. Em breve, em nosso informativo mensal, estaremos divulgando essas novidades.

 

Já há material dos alunos no site do clube, e no segundo semestre, estaremos abrindo uma exposição com os melhores trabalhos do primeiro semestre de alunos de diversos cursos do clube. Ainda aumentaremos a quantidade de material no site, possibilitando, assim, os alunos acompanharem a evolução, tanto sua, como de alunos de outros cursos.

FCBPRESS - Como você vê, hoje, a fotografia digital ? Ela veio para ficar ? E o cromo, e negativo ? Estão com os dias contados ? Acabou-se a arte genuinamente fotográfica ?

J.L.P. - Vamos fazer uma comparação: Quando a fotografia colorida veio , diminuiu, mas não acabou com o Preto e Branco. Vai acontecer a mesma coisa com o digital. Não só veio para ficar, como para dominar o mercado em pouco tempo , forçando todos a se atualizarem. Os conceitos de fotografia]

 

são os mesmos, porém, quando se fala de cores, pixel, cartão de memória, CCD, vimos que muita coisa vai mudar, principalmente no que diz respeito ao conhecimento do fotógrafo. Vimos que ainda tem espaço para muitas alterações na fotografia. Não haverá, daqui um tempo, apenas o fotógrafo. Ele também será um editor de fotografia em software de edição de imagens, um configurador de cores, um manipulador de imagens. É um campo muito vasto. O que vejo, é que ainda são poucos os que tem essa possibilidade. Quando a arte fotográfica, na verdade, só mudamos o processo. Há anos se é capaz de interferir em uma fotografia; desde o laboratorista de preto e branco, que podia fazer sobreposições de imagens, cianotipia, hoje, a única diferença é que ele vai usar o computador para isso e dar saida em uma impressora doméstica ou profissional. Só mudou a ferramenta. O fotógrafo ainda terá de conhecer sobre fotografia. Saimos do video para o DVD, do carro carburado para o com injeção eletrônica. Isso, também, era inevitável na fotografia.

FCBPRESS - A fotografia digital pode

ser considerada fotografia ? Visto que a fotografia convencional é usada mais a técnica visual, conhecimento dos básicos da fotografia, da câmera, e a câmera digital é só apertar o botão e corrigir os erros no Photoshop ?

J.L.P. - Não é bem assim. Todos têm uma idéia que poderão fazer qualquer coisa na foto digital que o computador resolve. Na verdade, se o trabalho estiver ruim, fotograficamente falando, continuará ruim quando fôr para o computador. A técnica visual ainda prevalece. A mente do fotógrafo ainda é superior à máquina. Ela não faz a imagem sozinha, como o carro sem motorista não anda sozinho. Só mudamos a ferramente, e não o fotógrafo. Muitos erram ao pensar que o computador veio para resolver tudo. Ele é apenas uma ferramente que precisa do seu manipulador que, geralmente, também vai entender de fotografia. Um bom fotógrafo não vai fazer uma foto ruim para corrigir no computador, pois estaria perdendo seu valioso tempo. Ele iria fazer uma grande foto, e no máximo, aumentar um contraste, ou diminuir uma luz, nada mais. Esse negócio de passar horas

editando foto, é que a pessoa é um grande usuário de computador, mas não entende nada de fotografia.

"Quando a fotografia colorida veio , diminuiu, mas não acabou com o Preto e Branco. Vai acontecer a mesma coisa com o digital."

FCBPRESS - Os associados podem ter acesso ao seu acervo fotográfico, livros, revistas ? Qual é a quantidade do acervo, entre fotos, livros e revistas ? O acervo está organizado ?

J.L.P. - Os associados ainda não podem ter acesso abertamente ao acervo fotográfico, exatamente, por causa da organização. Temos uma organização básica para sabermos o que há lá. Porém, estamos em um projeto conjunto com o historiador Ricardo Mendes para catalogação da Biblioteca. Isso deve virar o ano; só teremos resultados concreto, provavelmente, em 2004. Por enquanto, o associado que tiver interesse em pesquisar algo no acervo, deve entrar em contato com o diretor do acervo para agendar um horário, e já solicitar nesse pedido o tipo de pesquisa que pretende fazer, para que possamos separar antecipadamente

FCBPRESS - Em sua opinião, qual foi, ou é, o melhor fotógrafo, ou fotógrafos que já se passaram por aqui ? E, atualmente, qual o melhor fotógrafo no Brasil ? Mascaro, Salgado, Bob Wolfenson, JR Duran ?

J.L.P. -Isso é um pouco questão de gosto. No clube não há como dizer esse ou aquele do passado foi o melhor. Tivemos a nata da fotografia em nossos corredores. Desde Geraldo de Barros, Chico Albuquerque, Thomaz Farkas, German Lorca, José Yalenti, Alfio Trovatto, Eduardo Salvatore, Gaspar Gasparian, entre centenas de outros que passaram por aqui nesses 64 anos de existência. Muitos fotógrafos profissionais, e donos de escola de fotografia começaram no Bandeirante. Muitos grupos fotográficos sairam daqui, como o ASA 1000.

Atualmente, temos uma safra muito boa de fotógrafos. São divididos por áreas, não dá para falar o melhor. Têm Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Klaus Mitteldorf , Araquem Alcantara, Sebastião Salgado, Valerio Trabanco, entre outros. O Brasil sempre teve tradição na fotografia, e sempre produziu grandes

fotógrafos de renome internacional.

"Esse negócio de passar horas editando foto, é que a pessoa é um grande usuário de computador, mas não entende nada de fotografia."

FCBPRESS - E no mundo, qual o que você considera, ou considerou, o melhor ?

J.L.P. - Mesma coisa. São divididos por áreas. Você têm os cotidianos do Cartier Bresson, fotojornalismo do Robert Capa, a moda de Richard Avedon, os grandes trabalhos de Helmut Newton, esportes, como o surf, Aaron Chang, entre vários outros de diversos países. Pois, há fotógrafos especializados em fotografia submarinha, esportes, artes, fotojornalismo, estúdio, modelos, etc. Tem muita gente boa por aí.

"Ainda tenho o sonho de ser presidente da Confederação."

FCBPRESS - Quais os planos do FCCB, com você na presidência, para o futuro ? E o seu , ser presidente da Confederação ?

J.L.P. - Tem muita coisa vindo por aí. Nos segundo semestre, vamos organizar a Bienal Cor, participar da Photobrazil; tem o já tradicional concurso

Web Art Photos, além de alguns projetos sociais de levar as escolas, e público menos favorecido; cursos gratuitos de formação fotográfica. Já fazemos, a cada semestre, um curso de fotografia gratuito para adolescentes, mas eles se deslocam até o clube, o que gera um custo para seus pais. A intenção é levar a fotografia até eles, para que conheçam os equipamentos, a arte na fotografia e, talvez, tenham a possibilidade de utilizar isso como um trabalho no futuro.

Ainda tenho o sonho de ser presidente da Confederação. Não deu em 2002, mas tenho diversos projetos para ela, e em 2004 estarei lá disputando novamente. No ano anterior, já apresentei alguns projetos de modernização da Confederação, mesmo não tendo ganho alguns, tomaram forma, com a mudança dos métodos de julgamento das Bienais, e da digitalização das imagens, e da criação de um web- site para a Bienal. Essa Bienal, no segundo semestre, será a mais digital de todas, e faremos o máximo para pôr essas atualizações em prática da melhor maneira possível.