FCBPress
- Entrevista
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José
Luiz Pedro - Presidente
do Foto Cine Clube Bandeirante
em
2003 |
| aprendizado
do aluno com muitos no estúdio. Já, no Foto-Casamento,
que é um curso mais dinâmico (geralmente dado em
uma semana), comportamos até 15 pessoas por turma, e mesmo
assim, não perdemos qualidade. Alias, qualidade é
a coisa que mais nos empenhamos no clube, tanto nos cursos, como
no fornecimento de informações e estrutura para
associados. Os cursos todos são apostilados, e em alguns
casos, o aluno ainda recebe filme para a aula prática.
FCBPRESS
- O clube continua com os mesmos cursos de antigamente, ou teve
alguma mudança, cursos mais modernos?
J.L.P.
- Continuamos com os módulos básico e avançado
que sofreram alterações em seus conteúdos,
graças à fotografia digital. Criamos novos cursos
que já estão acontecendo, como Foto-Publicidade
, Foto-Moda e Foto-Casamento. Estamos mudando o programa do Foto-Jornalismo,
que voltará em breve. E, já estamos com quase tudo
certo para um curso completo de Foto-Digital. Ainda há
coisa para vir, como a volta dos Workshops de iluminação
de estúdioFoto-macro e laboratório P/B, além
de novidades em Foto-Natureza e Foto -Documental.
"Essa
Bienal, no segundo semestre, será a mais digital de todas..."
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FCBPRESS
- O que vocês proporcionam , hoje, às pessoas que
quizerem ser associados ? Precisam eles ainda serem indicados
por alguém, ou passarem por algum teste, ou convencimento
como, por exemplo, com o Chico Albuquerque, no passado ? Na galeria
do FCCB, os alunos ou associados podem expor seus trabalhos ?
J.L.P.
- Como disse, no passado, os associados passavam por uma via -crucis
para entrar para o clube. Tinham de ser apresentados, olhavam
seus trabalhos e, só aí, eram admitidos. Hoje, não.
Todos podem ser sócios do clube, independentemente do conhecimento
que tem da fotografia. Para isso, temos os cursos diversos; professores
para orientar os novatos, passeios com monitores, para ajudar
os com dúvidas, entre outras coisas.
Já fazemos há dois anos, exposições
dos passeios fotográficos no final de cada ano, com os
melhores trabalhos. Estamos acertando uma exposição
dos sócios para final desse ano , mais tardar no inicio
do ano que vem, com o material que foi produzido por essa nova
leva de sócios que o clube adquiriu nos últimos
três anos. Em breve, em nosso informativo mensal, estaremos
divulgando essas novidades.
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Já
há material dos alunos no site do clube, e no segundo semestre,
estaremos abrindo uma exposição com os melhores
trabalhos do primeiro semestre de alunos de diversos cursos do
clube. Ainda aumentaremos a quantidade de material no site, possibilitando,
assim, os alunos acompanharem a evolução, tanto
sua, como de alunos de outros cursos.
FCBPRESS
- Como você vê, hoje, a fotografia digital ? Ela veio
para ficar ? E o cromo, e negativo ? Estão com os dias
contados ? Acabou-se a arte genuinamente fotográfica ?
J.L.P.
- Vamos fazer uma comparação: Quando a fotografia
colorida veio , diminuiu, mas não acabou com o Preto e
Branco. Vai acontecer a mesma coisa com o digital. Não
só veio para ficar, como para dominar o mercado em pouco
tempo , forçando todos a se atualizarem. Os conceitos de
fotografia]
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| são
os mesmos, porém, quando se fala de cores, pixel, cartão
de memória, CCD, vimos que muita coisa vai mudar, principalmente
no que diz respeito ao conhecimento do fotógrafo. Vimos
que ainda tem espaço para muitas alterações
na fotografia. Não haverá, daqui um tempo, apenas
o fotógrafo. Ele também será um editor de
fotografia em software de edição de imagens, um
configurador de cores, um manipulador de imagens. É um
campo muito vasto. O que vejo, é que ainda são poucos
os que tem essa possibilidade. Quando a arte fotográfica,
na verdade, só mudamos o processo. Há anos se é
capaz de interferir em uma fotografia; desde o laboratorista de
preto e branco, que podia fazer sobreposições de
imagens, cianotipia, hoje, a única diferença é
que ele vai usar o computador para isso e dar saida em uma impressora
doméstica ou profissional. Só mudou a ferramenta.
O fotógrafo ainda terá de conhecer sobre fotografia.
Saimos do video para o DVD, do carro carburado para o com injeção
eletrônica. Isso, também, era inevitável na
fotografia.
FCBPRESS
- A fotografia digital pode |
ser
considerada fotografia ? Visto que a fotografia convencional é
usada mais a técnica visual, conhecimento dos básicos
da fotografia, da câmera, e a câmera digital é
só apertar o botão e corrigir os erros no Photoshop
?
J.L.P.
- Não é bem assim. Todos têm uma idéia
que poderão fazer qualquer coisa na foto digital que o
computador resolve. Na verdade, se o trabalho estiver ruim, fotograficamente
falando, continuará ruim quando fôr para o computador.
A técnica visual ainda prevalece. A mente do fotógrafo
ainda é superior à máquina. Ela não
faz a imagem sozinha, como o carro sem motorista não anda
sozinho. Só mudamos a ferramente, e não o fotógrafo.
Muitos erram ao pensar que o computador veio para resolver tudo.
Ele é apenas uma ferramente que precisa do seu manipulador
que, geralmente, também vai entender de fotografia. Um
bom fotógrafo não vai fazer uma foto ruim para corrigir
no computador, pois estaria perdendo seu valioso tempo. Ele iria
fazer uma grande foto, e no máximo, aumentar um contraste,
ou diminuir uma luz, nada mais. Esse negócio de passar
horas |
editando
foto, é que a pessoa é um grande usuário
de computador, mas não entende nada de fotografia.
"Quando
a fotografia colorida veio , diminuiu, mas não acabou com
o Preto e Branco. Vai acontecer a mesma coisa com o digital."
FCBPRESS
- Os associados podem ter acesso ao seu acervo fotográfico,
livros, revistas ? Qual é a quantidade do acervo, entre
fotos, livros e revistas ? O acervo está organizado ?
J.L.P.
- Os associados ainda não podem ter acesso abertamente
ao acervo fotográfico, exatamente, por causa da organização.
Temos uma organização básica para sabermos
o que há lá. Porém, estamos em um projeto
conjunto com o historiador Ricardo Mendes para catalogação
da Biblioteca. Isso deve virar o ano; só teremos resultados
concreto, provavelmente, em 2004. Por enquanto, o associado que
tiver interesse em pesquisar algo no acervo, deve entrar em contato
com o diretor do acervo para agendar um horário, e já
solicitar nesse pedido o tipo de pesquisa que pretende fazer,
para que possamos separar antecipadamente |
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| FCBPRESS
- Em sua opinião, qual foi, ou é, o melhor fotógrafo,
ou fotógrafos que já se passaram por aqui ? E, atualmente,
qual o melhor fotógrafo no Brasil ? Mascaro, Salgado, Bob
Wolfenson, JR Duran ?
J.L.P.
-Isso é um pouco questão de gosto. No clube não
há como dizer esse ou aquele do passado foi o melhor. Tivemos
a nata da fotografia em nossos corredores. Desde Geraldo de Barros,
Chico Albuquerque, Thomaz Farkas, German Lorca, José Yalenti,
Alfio Trovatto, Eduardo Salvatore, Gaspar Gasparian, entre centenas
de outros que passaram por aqui nesses 64 anos de existência.
Muitos fotógrafos profissionais, e donos de escola de fotografia
começaram no Bandeirante. Muitos grupos fotográficos
sairam daqui, como o ASA 1000.
Atualmente,
temos uma safra muito boa de fotógrafos. São divididos
por áreas, não dá para falar o melhor. Têm
Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Klaus Mitteldorf , Araquem Alcantara,
Sebastião Salgado, Valerio Trabanco, entre outros. O Brasil
sempre teve tradição na fotografia, e sempre produziu
grandes |
fotógrafos
de renome internacional.
"Esse
negócio de passar horas editando foto, é que a pessoa
é um grande usuário de computador, mas não
entende nada de fotografia."
FCBPRESS
- E no mundo, qual o que você considera, ou considerou,
o melhor ?
J.L.P.
- Mesma coisa. São divididos por áreas. Você
têm os cotidianos do Cartier Bresson, fotojornalismo do
Robert Capa, a moda de Richard Avedon, os grandes trabalhos de
Helmut Newton, esportes, como o surf, Aaron Chang, entre vários
outros de diversos países. Pois, há fotógrafos
especializados em fotografia submarinha, esportes, artes, fotojornalismo,
estúdio, modelos, etc. Tem muita gente boa por aí.
"Ainda
tenho o sonho de ser presidente da Confederação."
FCBPRESS
- Quais os planos do FCCB, com você na presidência,
para o futuro ? E o seu , ser presidente da Confederação
?
J.L.P. - Tem muita coisa vindo por aí. Nos segundo semestre,
vamos organizar a Bienal Cor, participar da Photobrazil; tem o
já tradicional concurso |
Web
Art Photos, além de alguns projetos sociais de levar as
escolas, e público menos favorecido; cursos gratuitos de
formação fotográfica. Já fazemos,
a cada semestre, um curso de fotografia gratuito para adolescentes,
mas eles se deslocam até o clube, o que gera um custo para
seus pais. A intenção é levar a fotografia
até eles, para que conheçam os equipamentos, a arte
na fotografia e, talvez, tenham a possibilidade de utilizar isso
como um trabalho no futuro.
Ainda
tenho o sonho de ser presidente da Confederação.
Não deu em 2002, mas tenho diversos projetos para ela,
e em 2004 estarei lá disputando novamente. No ano anterior,
já apresentei alguns projetos de modernização
da Confederação, mesmo não tendo ganho alguns,
tomaram forma, com a mudança dos métodos de julgamento
das Bienais, e da digitalização das imagens, e da
criação de um web- site para a Bienal. Essa Bienal,
no segundo semestre, será a mais digital de todas, e faremos
o máximo para pôr essas atualizações
em prática da melhor maneira possível.
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