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Fotografia Stéreo 

 
Artigo : Rodrigo Whitaker Salles
e-mail:rwsalles@provida.org.br

Esta interessante modalidade de fotografia procura reproduzir, no plano bidimensional, nossa visão humana. Dá uma nítida impressão de 3ª dimensão. Foi muito popular há algumas décadas atrás e, embora existam atualmente associações internacionais dedicadas ao assunto, hoje em dia é olhada pela grande maioria das pessoas só como curiosidade. Eu acho o sistema muito legal e o venho curtindo há algum tempo, e por isso quero passar umas "dicas" a respeito, para quem se interessar.

 

 

 

 

 

 

O efeito 3-D aparecerá com um visor estereoscópico

Para se chegar no "efeito estereo", é preciso fotografar a cena que nos interessa ou com uma câmara especialmente feita para fotos estereoscópicas ou com uma câmara comum, (mesmo as simples servem), obedecidos alguns requisitos para se obter o efeito 3-D. Eu uso uma câmara Pentax K-1000 c/zoom 28-80mm e uma Nikon FM2 c/ zoom 24/120.

Para se entender a "foto estereo", é preciso observar como funciona a nossa própria visão. O ser humano é dotado de dois olhos dispostos em linha, afastados em média 65 milímetros. Este afastamento faz com que cada olho forme uma imagem do assunto que está à frente com uma ligeira diferença de perspectiva, e é exatamente isto que produz o efeito de relevo, ou de terceira dimensão, ou efeito estereo. É fácil comprovar isto: basta esticar o braço à frente e erguer o polegar; em seguida observar a cena ora com um olho aberto, ora com o outro; você verá que a posição do polegar erguido muda com relação ao 2º plano, segundo esteja sendo visto com o olho esquerdo ou o direito.


A galinha, por exemplo, também é dotada de dois olhos que NÃO estão dispostos em linha, mas em oposição, e por isso ela não tem visão em relevo como nós. O camaleão tem uma curiosa visão: seus dois olhos giram independentemente, e em
qualquer direção, mas no momento de soltar a língua para apanhar um inseto, é obrigado a rodar os dois olhos e colocá-los em linha para poder "sentir" a distância que o separa da presa e assim acertar o bote.


As câmaras fotográficas estereoscópicas reproduzem mecanicamente o sistema de visão humana. São compostas de duas objetivas idênticas, separadas a uma distância de 65 mm (em média), dispostas em linha, que funcionam perfeitamente
sincronizadas. Quando se aperta o disparador da máquina, são feitas, ao mesmo tempo, duas fotografias da mesma cena que, ao serem olhadas, dão a impressão de serem idênticas, mas na verdade têm a mesma diferença que a cena tem para nossos olhos. Basta colocá-las lado a lado, sendo que a foto feita com a objetiva da esquerda deve ficar do lado esquerdo e a feita com a objetiva da direita do lado direito e observá-las com um aparelho apropriado, para se recompor a cena com efeito 3-D. Há pessoas que conseguem enxergar o efeito sem usar nenhum aparelho. Não é meu caso, e acho que a maioria está comigo.

Também é possível (e em alguns casos é até preferível) fazer-se tomadas estereo com câmaras comuns, desde que seguidos alguns "macetes". A vantagem com essas câmaras é que, como qualquer câmara serve, não é preciso comprar uma máquina própria para fotos 3-D e pode-se usar formato médio ou grande, aumentando a qualidade, sendo que o filme pode ser revelado em qualquer laboratório, e também e principalmente porque o deslocamento lateral pode ser variado, como veremos. A única restrição é que não dá para fazer fotos 3-D de assuntos em movimento como gente, animais, carros, etc. É que, com uma máquina comum, você tem que fazer primeiro uma foto da cena, e logo em seguida movê-la para um lado (direito ou esquerdo, tanto faz), numa posição aproximadamente 65 mm afastada da primeira e bater uma segunda foto, sem alterar nada. Ora, dá para perceber que numa cena em que as coisas se movimentam, entre fazer uma foto e outra elas mudaram de posição e por isso não haverá efeito 3-D nessas partes que se moveram, que aparecerão como "fantasmas".
A maneira mais fácil de se fazer fotos 3-D com uma câmara comum é montá-la num suporte que permita sua movimentação lateral, que por sua vez esteja preso num tripé. Este suporte pode ser feito por você mesmo. O meu é de madeira. Levou umas três horas para ficar pronto. Peguei três sarrafos comuns de pinho, na medida 2 x 4 x 30 (tudo em centímetros), e juntei-os de modo a formar um "trilho", onde corre um quarto sarrafo 2 x 4 x 10 cm, no qual adaptei, bem no centro, um parafuso na medida certa da rosca da câmara para poder prendê-la.


Com "letraset" escrevi uma escala de centímetro em centímetro ao longo do "trilho" para saber exatamente quanto deslocar lateralmente a máquina. Parece complicado, mas não; é bem simples e suficientemente preciso para tomar fotos estereo com perfeição. Depois acabei comprando um aparelho já feito para isto e mais sofisticado, com cremalheira, etc. Agora uso os dois.
Cada tomada 3-D, que na verdade são duas, porque formam um par, têm que ser feitas com a câmara exatamente na mesma regulagem de foco, abertura, velocidade, no mesmo filme, e mantendo a altura, só variando a posição da câmara na lateral, como eu já disse. Esse deslocamento na lateral é importante porque é graças a ele que o efeito 3-D é obtido e tem algumas "dicas" que eu já vou dar.
O laboratório tem que ser instruído para não mudar a regulagem de uma foto para outra na hora de imprimir. Eu mando sempre fazer fotos 9 x 13 com margem. Isto porque depois elas devem ser cortadas lateralmente (a da direita é cortada na direita e a da esquerda na esquerda) para centralizar o assunto, e também na altura, de modo a retirar a margem branca, e no final vão ficar no tamanho aproximado de 8 x 8 cm. Outras medidas são possíveis, mas a melhor é esta.
Depois disto são montadas lado a lado, tendo-se o cuidado de deixar a foto da esquerda do lado esquerdo e a da direita do lado direito numa cartolina de preferência preta, medindo 10 x 18 cm. Feito tudo isto, é só olhar sua obra de arte a olho nu, se você tiver a sorte de ser um daqueles que consegue... ou usar um aparelho próprio, que nada mais é que um "visor estereoscópico", composto de duas lentes simples, uma para cada olho, na frente das quais há um suporte de arame para encaixar a cartolina com as duas fotos já montadas e um sistema rudimentar de "trilho" para focalizar a cena, de acordo com a necessidade individual do observador.
É uma pena, mas eu tenho que dizer que este aparelho, tão comum em tempos idos, aqui no Brasil, pelo menos pelas pesquisas que fiz, só existe em feiras de antigüidades, e assim mesmo não é muito fácil encontrá-lo. Nos Estados Unidos,
são fabricados hoje em dia e custam 40 dólares, segundo eu vi na Internet. O meu eu comprei na feirinha do MASP.


Ultimamente tenho visto por aqui umas câmaras que produzem um "efeito 3-D" lançadas recentemente. Dei uma olhada e não achei muito legal. É que o sistema é composto por uma câmara de três lentes. Pelo que eu entendi, só o laboratório deles é que vai poder revelar adequadamente o filme e entregar o resultado final, e, embora provavelmente não seja necessário o "visor", acho o resultado pouco natural. Fica um pouco parecido com aqueles em que você tem que mexer a cabeça de um lado para outro, ou a própria foto, para sentir o efeito, mas tudo fica meio nebuloso, meio "flou". Além disso, a máquina tem poucos recursos, o que para mim é muito limitante.
Aqui aproveito para falar sobre o deslocamento lateral, como prometi. Esse deslocamento deve ser, em média, 65 milímetros, porque esta é a distância média que separa os olhos humanos, mas na fotografia 3-D, nem sempre.
Exemplificando, se o assunto for um "close-up" a uns 20 cm de uma flor, o tal deslocamento deve ser menor, digamos aproximadamente 3 centímetros, podendo ser menos. Se o assunto estiver longe, digamos uma cena a uns 15 ou 20 metros de distância, o deslocamento deve ser maior, algo em torno de 12 ou 13 centímetros, podendo ser mais. Em suma, quanto menor a distância da câmara ao assunto, menor o deslocamento, e vice-versa. Temos assim a HIPOESTEREOSCOPIA no primeiro caso e HIPERESTEREOSCOPIA no segundo. Eu já andei atrás de uma tabela, mas não achei, de modo que calculo esse deslocamento meio na base do sentir. Essa vantagem de poder alterar o deslocamento lateral de acordo com a distância para acentuar o efeito 3-D não existe nas câmaras estereo, pois elas já vêm montadas com as objetivas separadas naquela média que já falei e não podem ser mudadas. Em compensação, com elas podem ser feitas tomadas 3-D de assuntos em movimento.
Como se vê, tudo tem sua compensação. Eu já ouvi pessoas dizerem que é preciso fazer uma convergência na hora de tirar as fotos, mas a minha experiência mostra que isto não é necessário.
Estou sempre fazendo fotos sem convergência e nunca tive problemas. Além do quê, em nenhuma literatura que consultei a respeito o assunto sequer é mencionado e basta afinal observar que as máquinas feitas para fotos estereo não apresentam essa tal convergência.
Bem, vou ficando por aqui. Acho que não esgotei de forma alguma o assunto, e aceito de bom grado trocar idéias. Caso você tente fazer fotos estereo, BOA SORTE!!!